O setor sucroenergético vem apostando em novas tecnologias para promover sua produtividade e competitividade. Parcerias entre empresas - como Odebrecht, Syngenta, Monsanto e Granbio - e universidades / institutos de pesquisa deverão render frutos que impulsionem o setor fortemente afetado pela crise instalada desde 2008.
Reportagem da revista Pesquisa Fapesp cita exemplos de parcerias e iniciativas, como o melhoramento convencional da cana-de-açúcar, o desenvolvimento de novas variedades e o etanol de segunda geração, com destaque para as ações do CTC e da Granbio.
A exigência de eliminação das queimadas para a colheita da cana no Estado de São Paulo também tem favorecido as pesquisas, como ressalta a reportagem.
"A mecanização acaba exigindo tecnologias inovadoras tanto em equipamentos quanto em novas variedades de cana mais adaptadas ao processo. Algumas das variedades produzidas pela Monsanto, por exemplo, têm como característica a fácil adaptação à colheita mecanizada. Desde 2007, o estado deixou de queimar 5,53 milhões de hectares e de lançar à atmosfera mais de 20,6 milhões de toneladas de poluentes, segundo o governo do estado".
Um grande desafio é a criação de máquinas capazes de colher a cana em terrenos com declividade acima de 12%, um problema comum no Nordeste do País. Gostaria de saber quais são as perspectivas para o lançamento desse tipo de colheitadeira no mercado, quais instituições têm se dedicado a essa atividade etc.
Com relação à crise do setor, o Grupo IDEA noticiou ontem que o número de unidades processadoras de cana-de-açúcar no País caiu de 442 em 2008 para 385.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Biotecnologia canavieira - banco genético
Por ser um organismo híbrido, com um genoma extenso e complexo, a cana-de-açúcar apresenta um grande desafio para o melhoramento genético. A criação de variedades transgênicas tem sido estudada, como já divulgamos neste blog, mas os resultados não são imediatos, com previsões para os próximos anos.
Recentemente, a Agência FAPESP e o Canal Jornal da Bioenergia publicaram matérias sobre a criação de um banco genético brasileiro da cana-de-açúcar.
A matéria da Agência FAPESP, de 29 de julho, destaca a possibilidade de criação de um programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar visando melhorar sua produtividade. Entre as ações realizadas no Brasil nos últimos anos estão o Programa BIOEN da FAPESP e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo. Os pesquisadores participantes do programa começaram, nos últimos anos, a desenvolver um banco de dados para armazenamento de informações do genoma da cana-de-açúcar. "Quando for concluído, o banco de dados genéticos da cana-de-açúcar possibilitará, eventualmente, incluir a transgenia (manipulação genética) nos programas de melhoramento da planta", diz o texto de Elton Alisson.
A notícia do Canal Jornal da Bioenergia, publicada em 28 de junho, informa que o Brasil será sede de um novo banco genético de cana, com variedades de todo o mundo. Haverá um consórcio entre entidades e empresas pesquisadoras brasileiras, lideradas pelo IAC, para implantar e manter o banco, tecnicamente chamado de Germoplasma. O banco será importante para superar as limitações de acesso, por pesquisadores da América Latina, a informações dos dois bancos genéticos da cana existentes, um na Índia e outro nos Estados Unidos. Segue trecho da notícia:
Recentemente, a Agência FAPESP e o Canal Jornal da Bioenergia publicaram matérias sobre a criação de um banco genético brasileiro da cana-de-açúcar.
A matéria da Agência FAPESP, de 29 de julho, destaca a possibilidade de criação de um programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar visando melhorar sua produtividade. Entre as ações realizadas no Brasil nos últimos anos estão o Programa BIOEN da FAPESP e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo. Os pesquisadores participantes do programa começaram, nos últimos anos, a desenvolver um banco de dados para armazenamento de informações do genoma da cana-de-açúcar. "Quando for concluído, o banco de dados genéticos da cana-de-açúcar possibilitará, eventualmente, incluir a transgenia (manipulação genética) nos programas de melhoramento da planta", diz o texto de Elton Alisson.
A notícia do Canal Jornal da Bioenergia, publicada em 28 de junho, informa que o Brasil será sede de um novo banco genético de cana, com variedades de todo o mundo. Haverá um consórcio entre entidades e empresas pesquisadoras brasileiras, lideradas pelo IAC, para implantar e manter o banco, tecnicamente chamado de Germoplasma. O banco será importante para superar as limitações de acesso, por pesquisadores da América Latina, a informações dos dois bancos genéticos da cana existentes, um na Índia e outro nos Estados Unidos. Segue trecho da notícia:
"A criação do Germoplasma no Brasil favorecerá os pesquisadores latinos e contribuirá para o desenvolvimento de variedades mais resistentes a doenças e também mais produtivas, pois ele estará aberto para todos", explica [Raúl] Castillo [coordenador da seção de Melhoramento Genético e Germoplasma da International Society of Sugar Cane Technologists]. Marcos Landell, do IAC, destaca que o banco deverá contar com mais de duas mil variedades oriundas de todo o mundo e acredita que o consórcio receberá o apoio dos principais centros de pesquisa e empresas que trabalham com melhoramento genético do país. "Cada centro tem seu foco de pesquisa e pode contribuir muito com suas variedades para o banco genético", ressalta Landell.
A previsão é que, até em três anos, o novo banco genético entre em funcionamento no Centro de Cana IAC-APTA - Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio Cana, do Instituto Agronômico (IAC), sediado em Ribeirão Preto.Fiquei em dúvida se as matérias tratam da mesma iniciativa ou não. Alguém aí sabe?
sábado, 13 de abril de 2013
Primeira variedade transgênica
O Canal Rural anunciou no dia 3 de abril que a primeira variedade de cana-de-açúcar transgênica deverá ser lançada no mercado em 2017-2018. A coordenadora de biotecnologia do CTC, Sabrina Chabregasa, informa que são necessários pelo menos 5 ou 6 anos para o desenvolvimento de uma nova variedade. É o caso da inclusão de características mais simples, como a resistência a insetos, que ocorre por meio da introdução de um gene. Para características mais complexas, levam-se cerca de 8 anos de pesquisas e testes até que a nova variedade seja comercializada.
A cana transgênica promete gerar aumentos de produtividade e dos teores de sacarose da cana, além de resistir a condições climáticas adversas, como a seca e o excesso de chuvas em algumas regiões, e ao ataque de pragas. Países como Brasil (que é o maior produtor mundial de cana), Indonésia, Argentina e China estão na corrida para lançar a primeira variedade de cana-de-açúcar transgênica.
Diante da necessidade de incremento na produção, o mercado pressiona os pesquisadores. No CTC, onde trabalham cerca de cinquenta pessoas ligadas diretamente à pesquisa, os acionistas são o próprio mercado produtor de cana-de-açúcar, que tem pressa para lançar novidades. Os estudos são regulados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, e os trabalhos são todos submetidos a aprovação antes de chegar ao mercado.
Essa inovação favorecerá o bioetanol de cana-de-açúcar no que tange ao aspecto econômico, pois deverá levar ao aumento da produtividade. Minha dúvida é sobre o aspecto ambiental. Que impactos ambientais (positivos ou negativos) a cana transgênica traria? Quais análises têm sido feitas para identificar e mensurar esses impactos? Haveria também impactos sociais?
Assista ao vídeo da reportagem:
A cana transgênica promete gerar aumentos de produtividade e dos teores de sacarose da cana, além de resistir a condições climáticas adversas, como a seca e o excesso de chuvas em algumas regiões, e ao ataque de pragas. Países como Brasil (que é o maior produtor mundial de cana), Indonésia, Argentina e China estão na corrida para lançar a primeira variedade de cana-de-açúcar transgênica.
Diante da necessidade de incremento na produção, o mercado pressiona os pesquisadores. No CTC, onde trabalham cerca de cinquenta pessoas ligadas diretamente à pesquisa, os acionistas são o próprio mercado produtor de cana-de-açúcar, que tem pressa para lançar novidades. Os estudos são regulados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, e os trabalhos são todos submetidos a aprovação antes de chegar ao mercado.
Essa inovação favorecerá o bioetanol de cana-de-açúcar no que tange ao aspecto econômico, pois deverá levar ao aumento da produtividade. Minha dúvida é sobre o aspecto ambiental. Que impactos ambientais (positivos ou negativos) a cana transgênica traria? Quais análises têm sido feitas para identificar e mensurar esses impactos? Haveria também impactos sociais?
Assista ao vídeo da reportagem:
sábado, 23 de março de 2013
Variedades de cana do CTC
Ontem tivemos um encontro do projeto AlcScens com Marcos Casagrande, engenheiro de desenvolvimento de produto do Centro de Tecnologia Canavieira, o CTC. Criado em 1969 como Centro de Tecnologia Copersucar, o CTC reestruturou-se em 2004 e se tornou sociedade anônima em 2011. É um ator importante na realização de inovações por meio de programas de melhoramento da cana-de-açúcar, tendo desenvolvido mais de 5 mil variedades em seu banco de germoplasma, localizado em Camamu, na Bahia.
A apresentação de Casagrande focou no desenvolvimento de variedades visando a aumentar a produtividade e, assim, o lucro do produtor agrícola. Isso ocorre por meio do alinhamento de tecnologias, em especial a biotecnologia. No período de 1980 a 2010, a produtividade das variedades de cana do CTC cresceu 70%. Essas variedades já estão na oitava geração, representada pela série CT 9000.
Casagrande ressaltou a importância do melhoramento genético regionalizado, que adapta as variedades às condições edafoclimáticas das regiões. Ele nos informou que 40% da produção brasileira de cana-de-açúcar estão concentrados em duas variedades produzidas há 30 anos. No entanto, a cana com melhoramento regionalizado oferece rendimentos maiores, pois resiste mais ao estresse hídrico, está apta à mecanização, não floresce, possui maior teor de sacarose, além de um longo período útil de industrialização (PUI) e perfilha abundante.
As variedades de cana regionalizadas pelo CTC para a região do Cerrado foram lançadas em 2012, e podem favorecer a expansão da cultura canavieira nessa região de clima e solo menos favoráveis, comparativamente às condições de regiões produtoras tradicionais do Estado de São Paulo, como Ribeirão Preto. O aumento significativo do lucro do produtor lhe permite pagar os royalties ao CTC e se revela vantajoso para ambos.
Parcerias com outras empresas, como a Bayer e a Basf, também fazem parte dos negócios do CTC, contou Casagrande, que ressaltou também as inovações do centro em áreas fora da genética, como novos sistemas de plantio e colheita mecanizados, no manejo da lavoura, sistemas georreferenciados e modernização do processo industrial.
Entre os problemas elencados, está a complexidade genética da cana-de-açúcar, a concorrência com outras culturas (como beterraba, milho e colza) e a dificuldade de motivar produtores a adaptar suas condições de produção às novas variedades e tecnologias, como a colheita e o plantio mecanizados.
A apresentação de Casagrande focou no desenvolvimento de variedades visando a aumentar a produtividade e, assim, o lucro do produtor agrícola. Isso ocorre por meio do alinhamento de tecnologias, em especial a biotecnologia. No período de 1980 a 2010, a produtividade das variedades de cana do CTC cresceu 70%. Essas variedades já estão na oitava geração, representada pela série CT 9000.
Casagrande ressaltou a importância do melhoramento genético regionalizado, que adapta as variedades às condições edafoclimáticas das regiões. Ele nos informou que 40% da produção brasileira de cana-de-açúcar estão concentrados em duas variedades produzidas há 30 anos. No entanto, a cana com melhoramento regionalizado oferece rendimentos maiores, pois resiste mais ao estresse hídrico, está apta à mecanização, não floresce, possui maior teor de sacarose, além de um longo período útil de industrialização (PUI) e perfilha abundante.
As variedades de cana regionalizadas pelo CTC para a região do Cerrado foram lançadas em 2012, e podem favorecer a expansão da cultura canavieira nessa região de clima e solo menos favoráveis, comparativamente às condições de regiões produtoras tradicionais do Estado de São Paulo, como Ribeirão Preto. O aumento significativo do lucro do produtor lhe permite pagar os royalties ao CTC e se revela vantajoso para ambos.
Parcerias com outras empresas, como a Bayer e a Basf, também fazem parte dos negócios do CTC, contou Casagrande, que ressaltou também as inovações do centro em áreas fora da genética, como novos sistemas de plantio e colheita mecanizados, no manejo da lavoura, sistemas georreferenciados e modernização do processo industrial.
Entre os problemas elencados, está a complexidade genética da cana-de-açúcar, a concorrência com outras culturas (como beterraba, milho e colza) e a dificuldade de motivar produtores a adaptar suas condições de produção às novas variedades e tecnologias, como a colheita e o plantio mecanizados.
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